| Foto montagem: PVCbiketeam |
Há manhãs que nascem com a promessa de serem perfeitas. O sol primaveril de domingo não enganava e, com a minha bicicleta a postos, saí de Vila Franca do Campo com aquela energia que só quem pedala conhece. O plano era ambicioso, o cenário era de postal, mas o destino — e a mecânica — tinham outros planos para mim.
Deixei Vila Franca para trás e entrei pela estrada secundária da Lagoa do Congro em direção à Achada das Furnas. É um daqueles troços que nos recorda por que razão adoramos o ciclismo de estrada: o asfalto serpenteia por entre tons de verde vibrantes, com o ar fresco da manhã a dar o "boost" necessário para as pernas.
A descida das Pedras do Galego para as Furnas foi, como sempre, um momento de pura adrenalina e contemplação. Uma volta rápida pela freguesia para absorver o ambiente místico do vale e era hora de iniciar o regresso.
O plano de regresso passava pela estrada sul, com uma incursão pelo trilho da Lagoa das Furnas. Foi precisamente ali, rodeado pela beleza serena da lagoa, que a minha bicicleta decidiu "reclamar".
A manete das mudanças do lado esquerdo empencou subitamente. De um momento para o outro, o meu sistema de transmissão deixou de ser uma democracia: fiquei sem opção em alternar entre os pratos dianteiros 48/31.
O prato mais pequeno (31) foi o meu único companheiro até ao final da jornada.
Quem pedala sabe que a mente é o nosso componente mais importante. Com o prato 31 como única opção, o regresso a Vila Franca do Campo transformou-se num exercício de paciência. Onde antes procurava alguma velocidade, passei a focar-me na gestão do esforço.
Foi um "pequeno contratempo"? Sim. Arruinou a volta? Longe disso.
No ciclismo amador, aprendemos depressa que os problemas técnicos fazem parte da aventura. São estes momentos que testam a nossa resiliência e nos fazem valorizar ainda mais os dias em que tudo corre sobre rodas (literalmente!).
Conclusão
Apesar da avaria, cheguei a casa com o sentimento de dever cumprido. A bicicleta nova parece que já reclama por uma visita à oficina, mas a minha cabeça já só pensa no próximo domingo. Afinal, as pernas continuam lá, o sol quer-se que continue a brilhar e a estrada está sempre à nossa espera para novas aventuras em cima dela.
E vocês? Já tiveram de regressar a casa com uma mudança "encravada"? Contem-me as vossas peripécias nos comentários!
Boas pedaladas!
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